Entre os holofotes

11:03

No palco, me apresentava com a pouca luz das velas, mal podia enxergar, a penumbra passou a me dar a confiança de andar no inseguro.

Aos poucos cansei dessa carência da luz, apaguei todas as velas e passei a conduzir a peça no escuro.
De inicio me causou uma certa desordem por dentro, mas com o tempo já me sentia acolhido, até que no meio da escuridão gélida, algo quase cega meus olhos, era um brilho pequeno e incomodo em minhas retinas.
De primeira impressão eu não fui a seu encontro, mas ela veio até mim, cada centímetro mais próximo eu voltava ao conforto que possuía na presença de luz, ela me rodeou e acendeu, pouco a pouco, cada uma das luzes que eu havia apagado, eu já podia enxergar o que me cercava, e no decorrer de pouco tempo eu estava entre o brilho dos holofotes que me inundavam, dando a mim a vida aos olhos da plateia, que nos aplaudiam, vendo em nós uma intensa harmonia, e tudo graças a essa luz, que me deu o brilho necessário pra continuar, me livrando do vazio que é viver na ausência dela.

-Guilherme Gomes


Vá embora não, tome mais uma dose

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