A prostituta e o bêbado

18:43

Cabisbaixo, vinha eu a andar pelas ruas de meu Recife, desorientado sem saber quais dos rostos daquela mulher era real.

Andei pulando pedras e zigzagueando por entre elas, sendo conduzido por esta estranha até sua morada.

Ela tinha um cheiro de prostituta, era jovem e doce, descansou meu corpo sobre a cadeira, acomodado, ela me traz em suas aveludadas mãos o negror de um café, levemente regrado as quatro gotas de adoçante.

Enquanto eu o tomava gole a gole, apreciando a sua turva beleza e saboreando o café como vinho, ela contava-me suas histórias.

Era filha única, pobre e bela, buscou na cidade a solução de sua miséria, mas o que apenas lhe foi oferecido foram as vielas podres do Recife.

Contava ela de modo irônico, servidos de um boa dose se humor, suas aventuras no prostibulo, e enquanto as descrevia, seu sorriso, de carnudos lábios rosados e de dentes alvos, não muito esquecidos diante de belos olhos cor de mel e madeixas douradas, eram o suficiente para que eu não piscasse diante dela.

Drogas, sexo e morte, eram alguns dos temas dos ocorridos em sua vida como um mero produto de prazer, aquela jovem, me contava barbaridades que a vendo eu jamais  poderia acreditar.

Fui sendo abraçado pelo sono e minhas pálpebras afagavam tocar-se, eu a vi pela última vez e adormeci, acordei horas depois, no mesmo lugar, mas a prostituta com feição angelical, havia escapado do alcance de meus olhos, a busquei por entre as vielas, mas não a encontrei, nunca soube seu nome, mas a amei por segundos....

- Guilherme Gomes


Vá embora não, tome mais uma dose

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